Monte ElbrusMount Elbrus

Escalada Monte Elbrus

Partindo da Rússia, pegamos um vôo até a cidade de Mineralnie Vody (água mineral em russo) que é a cidade mais próxima do Elbrus e normalmente usada como primeira parada pelos escaladores para organizar equipamentos e alimentos. Na foto, da esquerda para a direita, Rosier, Rogério, Marcelo e Karina.
A cidade de Mineralnie Vody é muito amistosa e florida, com muita influência muçulmana na região. Aproveitamos para carregar todas as energias possíveis enquanto estávamos na cidade.
Apesar de seu nome significar “Água mineral”, existe um local na cidade onde se pode beber essa famosa água, mas vá com calma pois o gosto não é nada agradável. hehe. Na foto, Karina experimentando!
De lá, seguimos nesses típicos furgões da Russia por mais de 4 horas por um caminho super esburacado e de pedras, num desafio constante para se manter no assento! Precisávamos chegar ao 1º acampamento a tempo de atravessar um dos rios formados pelo degelo, do contrário conseguiríamos chegar somente no dia seguinte. A aventura tinha começado.
O acampamento base a 3.200 metros (só existem na face norte) na verdade é uma área utilizada pelo exército russo onde aproveitamos para montar nossa barraca e encontrar nosso guia e cozinheira. Enfim estávamos com a nossa equipe de 10 pessoas reunida. Hora de traçar a estratégia de aclimatação, organizar mochilas, providenciar água e descansar.
Os dias que se seguiram foram usados para aclimatação, com caminhadas pela regiã a pontos de maior altitude. Na foto pode-se ver ao fundo o Elbrus com os seus 2 cumes. Isso mesmo, o Elbrus tem 2 cumes com diferença aproximada de 40 metros entre eles, sendo que o mais alto tem 5.642 metros de altitude.
Karina treinando nos obstáculos da região à 3.500 metros de altitude.
No terceiro dia subimos numa longa caminhada para o acampamento avançado a 3.800 metros. Pelo caminho avistamos um helicóptero russo de resgate voando para o alto da montanha.
Chegamos a noite ao acampamento avançado, descansamos e no dia seguinte já saímos para mais um novo dia de aclimatação e treinamentos sobre segurança no caso de queda, utilização de crampos, piqueta, corda, etc… Na foto, nosso guia fazendo a demonstração.
Na sequência tivemos mais um dia de aclimatação seguindo até 4.200 metros. É importantíssimo a proteção dos olhos, principalmente quando se está em ambiente de gelo e neve que potencializa e reflete os raios solares.
De volta ao acampamento avançado, combinamos que o próximo dia seria apenas para descanso e recuperação física, pois 2 dias depois teríamos a 1ª janela de tempo bom para tentativa do cume. Até então todos da equipe estavam ótimos de saúde, com a saturação de oxigênio dentro do normal e sem nenhum sintoma de altitude, a não ser por um dos integrantes que de repente teve um pico de pressão arterial de 20×12, o que de fato comprometeria a sua tentativa de cume em pró de sua vida.
Agenda cumprida, dois dias depois estávamos nós rumo ao cume do Elbrus. Nosso objetivo era seguir até 4.800 metros e dormir num helicóptero russo que havia caído na montanha devido a forte ventos. Nosso guia havia conseguido uma autorização com o exército russo para que descansássemos um pouco dentro desse helicóptero de onde sairíamos por volta das 3 horas da manhã para a última etapa até o cume do Elbrus. Depois descobrimos que “oficialmente” não poderíamos ter dormido lá, de qualquer maneira, o helicóptero estava aberto e não tinha nenhuma placa dizendo “não entre”!!! Na foto, de cima para baixo, Rogério, Rosier e Karina.
Mas as condições do tempo não ajudaram, de uma hora para outra entrou uma forte tempestade e antes de chegarmos no helicóptero as condições se complicaram muito, mesmo assim, conseguimos chegar e nos abrigar dentro dele. A idéia era esperar até as 3h da manhã para sair no ataque ao cume, e a nossa esperança era que a tempestade passasse, pois do contrário não haveria a mínimo condição de subir. Na foto, Karina na montanha em meio a tempestade.
Passamos a noite toda dentro da aeronave e a tempestade parecia cada vez aumentar mais. As laterais do helicóptero tremiam com o vento e as batidas de neve, nosso guia acreditava que os ventos estivessem a mais de 100Km/h com péssima visibilidade. O tempo passava e cada vez mais nossas chances diminuiam pelo avançar das horas, até que amanheceu e não havia mais possibilidade de tentativa ao cume, sendo assim, infelizmente o único caminho agora era para baixo, caindo por terra o nosso objetivo maior, chegar ao topo da Europa. Na foto, Marcelo e o guia auxiliar iniciando a descida de retorno ao acampamento avançado.
A descida foi super dura e cansativa, a visibilidade era péssima, e um dos integrante da equipe que estava com muito medo pediu para ser encordado, pois estava extremamente nervoso e completamente inseguro com toda aquela situação.
Fora toda a dificuldade da descida, ainda tínhamos que levar para baixo todo o nosso equipamento nas costas pois não haveria outra oportunidade de subida. Na foto, Marcelo voltando para o acampamento avançado após a desistência do cume.
ao chegarmos no acampamento avançado, o líder da expedição, que havia ficado por problemas de saúde (pressão arterial), nos informou que nossa barraca havia voado com a tempestade e que teve que fazer o “resgate” e montá-la novamente. Que bom, pois pelo menos teríamos onde descansar… Vista do acampamento avançado durante a descida.
Difícil aceitar, mas estávamos de volta ao acampamento avançado e nossa oportunidade de cume havia realmente caído por terra. Nesse noite não jantamos direito, tão desanimados que estávamos, e fomos dormir pois no dia seguinte estava agendado que o furgão nos pegaria no acampamento base. E é aí que nossa sorte começou a mudar: Por volta das 2 não conseguia dormir sentindo o nariz tampado, então resolvi sair da barraca, foi quando olhei para o topo do Elbrus e não havia mais uma nuvem se quer no céu! A tempestade havia passado e céu estava cheio de estrelas! Não me contive, voltei para a barraca e acordei a Karina: Ká, Ká, olha só o tempo lá fora, a tempestade passou! E ela me respondeu: Já fizemos a nossa tentativa de cume e todos estarem cansados e despreparados agora, pior, nós temos a VAN marcada durante o dia para voltarmos à cidade! Mas… Quem disse que ela conseguiu dormir!? Eu sabia bem o que estava fazendo quando a acordei, não tinha dúvidas que íamos esgotar todas as possibilidades antes de desistir.
Dito e feito, levantamos e fomos falar com o nosso guia, mas ele não foi nada receptivo e disse que era tarde demais para sair e que não tinha como adiar o nosso transporte de regresso. Como alguns grupos já haviam começado a deixar o acampamento, fomos acordar o restante da nossa equipe para ver se alguém mais queria tentar e após uma breve conversa o Rosier também se animou com a idéia de uma tentativa de última hora. Já que o guia principal não queria ir, a Karina com todo o seu poder de convencimento e vontade de tentar, conseguiu convencer o guia auxiliar a nos guiar pois pagaríamos um extra para ele. Em 30 minutos estávamos prontos na base da geleira. Caminhamos algumas horas durante a noite quando o dia finalmente clareou.
Nós praticamente não paramos para comer ou descansar. Nas poucas vezes que tentamos para para nos hidratar, nosso guia fazia sinal que tínhamos que seguir. Era um desnível de mais de 1800 metros do acampamento avançado (3.800) ao cume (5.642), mas entre gel para hidratar e algumas poucas coisas para comer, fomos seguindo Elbrus acima.
A subida não foi nada fácil, na noite anterior não tínhamos sequer jantado, não fizemos o repouso necessário pré dia de cume e nem nos preparamos psicologicamente! Mas estávamos tomados de felicidade por termo mais uma oportunidade de alcançar nosso objetivo. Estava sendo muito pesada a subida, eu sentia uma dor absurda no pescoço, de repente eu virei para a Karina e falei: “Bendita hora que eu fui te acordar e dizer que o tempo estava bom, viu Karina…”. Aí caímos os 3 nas risadas! Na imagem, Marcelo acima seguido por Karina a aproximadamente 5.300 metros por volta das 11 horas da manhã.
Finalmente às 13 horas, esses 3 brasileiros insistentes chegaram ao cume do Elbrus (5.642 metros) e de lá levantaram a nossa bandeira brasileira com muito orgulho representando todos os nossos queridos amigos. A sensação foi incrível, era como se tudo ao redor estivesse girando. Uma experiência incrível que pode ser vista pelo nosso sorriso de felicidade. Na imagem, esquerda para a direita, Rosier Alexandre, Karina Oliani e Marcelo Rabelo.Fotos de Marcelo Rabelo, Karina Oliani, Rosier Alexandre e Rogério.

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